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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Malandro


Deixa balançar a maré 
E a poeira assentar no chão 
Deixa a praça virar um salão 
Que o malandro é o barão da ralé

quarta-feira, 14 de março de 2012

Gatos


Você já ouviu falar de uma falha genética que resulta na heterocromia? É uma doença rara -mais comum nos gatos- chamada síndrome de Waardenburg, que provoca distúrbios de pigmentação como íris com cores diferentes, albinismo parcial e aquelas mechas brancas no cabelo. Quem sofre desse mal muitas vezes também tem problemas de audição. Não se sabe, ainda, quais genes causam isso, mas a surdez e a deficiência de pigmentação estão sim relacionadas.
Necessariamente a diferença de cor das íris não vem acompanhada de outros sintomas. Mas, se seu gato tiver um olho de cada cor, é sempre bom verificar se o bichano não tem também dificuldade na audição.
Não existe nenhum tratamento para a diferença de cor das íris, e a única coisa a ser feita é utilizar lentes coloridas para igualar o pigmento.
Leia mais em: Gatinho com olhos de cores diferentes - Metamorfose Digital http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=16290#ixzz1p3ZmKdpu

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Gatos



Há quem não goste de gatos. Dizem esses que os gatos são animais traiçoeiros e interesseiros. Mas quem tem um gato em casa sabe que nada disso é verdade.

Para se entender e amar um gato é preciso ter um, ou melhor, deixar que ELE tenha você. Sim, pois é o gato quem escolhe quem será o objeto do seu afeto.

Os gatos, ao contrário do que muitos pensam, travam uma relação de cumplicidade e carinho com seus chamados “donos”. Aliás, se você não sabe gato não tem dono. Você é, no máximo, o seu “humano de estimação”.

Elegante, sagaz, sempre com um ar misterioso. Seu olhar parece sempre que está querendo nos dizer algo. Conhecedor de todos os cantos da casa, sabe exatamente quando algo está fora do lugar.

Dizer que um gato é dono do seu próprio nariz significa dizer que ele não é subserviente, mas sabe ser amoroso. Acho que é aí, neste conjunto de paradoxos, que reside a fascinação que este bichano exerce sobre tantas pessoas, dentre elas diversos escritores.



Foto de Carla Freire
Texto de Cristina Danuta

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Gato



PABLO NERUDA

ODE AO GATO

"Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes 
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo 
e orgulhoso: 
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer. 
O homem quer ser peixe e pássaro 
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta, 
a mosca estuda para andorinha, 
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato 
quer ser só gato 
e todo gato é gato 
do bigode ao rabo, 
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade 
como ele,
não tem 
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só 
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno 
firme e sutil é como
a linha da proa 
de uma nave.
Os seus olhos amarelos 
deixaram uma só 
ranhura
para jogar as moedas da noite
Oh pequeno 
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria, 
mínimo tigre de salão, nupcial 
sultão do céu 
das telhas eróticas,
o vento do amor 
na intempérie 
reclamas
quando passas 
e pousas 
quatro pés delicados
no solo, 
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre, 
porque tudo
é imundo 
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente 
da casa, arrogante 
vestígio da noite, 
preguiçoso, ginástico
e alheio, 
profundíssimo gato, 
polícia secreta 
dos quartos,
insígnia 
de um 
desaparecido veludo,
certamente não há 
enigma 
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence 
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem, 
todos se acreditem donos, 
proprietários, tios 
de gatos, companheiros,
colegas, 
discípulos ou amigos 
do seu gato. 
Eu não. 
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica, 
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo, 
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro, 
o atavismo azul do sacerdote, 
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro. "
Foto de Carla Freire