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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Malandro


Deixa balançar a maré 
E a poeira assentar no chão 
Deixa a praça virar um salão 
Que o malandro é o barão da ralé

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Morre





Morre lentamente




Quem não viaja,


Quem não lê,


Quem não ouve música,


Quem não encontra graça em si mesmo

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Vegetal


Se eu tivesse a ideia de escrever um conto
Seria um conto desesperado, destemperado
Deixava nas águas mornas dos rios brandos
A fúria lenta dos corações aflitos por luz
Duplas missões de silêncio na encruzilhada
Ah! se eu tivesse que escrever um conto hoje!?
Contaria vestida de capa de chuva laranja
Com uma tocha na mão, de luz violeta
O parto de sobrevoar a terra em estado de rua
Dos filhos gémeos da mulher alheia
Contava o sonho da luta do ego para atrapalhar a lua
Negava três vezes que te via correr do vento fresco
Saberia sim, que ao pular as horas, tardava o encontro
Do barato final na chuva, criadora do encanto
Vegetal, um conto animal, um parto paranormal

Riso Maria Dersu
Foto de Carla Freire

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O TATU


O texto a seguir é um yãmîy maxakali, canto ritual do tatu. O autor é Damazinho Maxakali, aluno do Curso de Formação de Professores Indígenas de MG.


KOXUT
Koxut hãmkox hu kopa moyõn
Koxut yã hãmkox kopa tokpep
Koxut ãpnîy yîta yãy hi hu xit hã yãy hi
Koxut tute komîy mahã xi kohot xi puxõõy
Koxut yã hãmtup tu yãy hi xi ãpnîy hã
Puxi. Ûkux.
Ûgãxet ax Namãyiy Maxakani.


O TATU
O tatu dorme dentro do buraco
O tatu dá cria dentro do buraco
O tatu sai à noite pra andar e pra comer
O tatu come batata, mandioca e minhoca
O tatu anda de dia e de noite
Chega. Acabou.
Meu nome é Damazinho Maxakali.


Por Fotógrafo Rubens Nemitz Jr

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Amigos e suas Artes



“Não te quero ver sumir por aí
Eu aviso a cidade é vazia... 
Sem teus abraços, sem teus olhos
Não vá tão cedo sumir 
Dos meus olhos já embaraçados 
Suspiro com a aflição dessa ideia
De não mais te ver rindo a toa
Teu sorriso de criança solta
Brincando e gostando de ser
Ao meu lado 
A mulher
Minha
Todos 
os 
Dias 
Que 
Ainda
Me
Faltam...”

Poema de Eurípedes Gomes Filho/Brasil 

Foto de Carla Freire